Recomeçar
Eu vejo a
vida como uma dança, linda e com um ritmo próprio para cada um.
Dois passos
pra cá. Não, ta errado.
Um passo
pra cá e dois pra lá. Entendi, mas quero de outro jeito.
Rodopia,
salta e pliê. É, algo do tipo.
Vamos
dançar num salão, numa pista de dança, num teatro, fora da cidade.
Fecho meus
olhos e vejo que ainda posso dançar ainda melhor, com ainda mais liberdade.
Abro meus olhos e vejo que a coreografia apenas começou, mas está uma delícia.
Alguém te
pega pela cintura, e você se entrega. É como se apertassem um botão que te
desprende. Pernas pra cá. Cabelo pra lá. Olhos nos olhos. Me guia, tango.
Você também
pode dizer tudo o que está entalado na garganta, mover-se de acordo com a
indignação que representa. Nessa dança nem todos se profissionalizam.
E quando um
amigo, do peito, toca uma moda de viola, que acalma tua alma e traz toda a
nostalgia do sertão?
Acompanho a
composição que as cordas fazem com os olhos, e mergulho naquela cançao. Sorrio
suave e me compadeço da dor e solidão daquele sertanejo. Danço que nem percebo.
Mas o que
me faz tirar os pés do chão, como se me envolvesse numa doce música erudita.
Cheia de emoções adversas e intensas, bom isso só o amor consegue.
Cada novo
ritmo, um recomeço.
Em qual
coreografia você está agora?

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